Arquivo de julho de 2010


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Pulso
O problema de quem recomenda
Bruno Altieri
27 de julho de 2010

Se pudéssemos resumir em uma palavra, na verdade o que o cliente sempre quer de uma agência é uma recomendação. Quem já ouviu a frase “Quem toma decisões está sempre inseguro”? O cliente é inseguro por definição, e no que diz respeito à comunicação, propaganda, busca essa segurança na agência. Com razão. E pior: paga por sua experiência. Às vezes o justo, outras nem tanto, mas paga e espera, sim, receber em troca… as tais recomendações.

Espera que o atendimento recomende essa ou outra ação. Que o planejamento recomende uma estratégia. Que o mídia recomende canais, mídias tradicionais ou diferenciadas. Que o criativo recomende essa ou aquela forma de contar a história. Afinal nós somos (está no papel) quem mais entendemos disso. Nós resolvemos o problema.

Bem, na verdade, é aí que começa o problema. O problema de quem faz recomendação é que, na nossa profissão, ela é quase sempre subjetiva. Mesmo quando se apoia em dados objetivos (pesquisa de mercado e números de mídia), as escolhas são subjetivas. E aí ferrou: como apoiar uma decisão em cima de algo subjetivo? Quero provas! Resultados! Fórmulas e modelos!

Vale mais a pena atingir novos consumidores ou estimular os atuais a consumir mais? Eu tiraria um programa relevante de um plano de mídia em troca de cobertura? Fundo cinza ou fundo azul? Mais fórmulas e mais modelos vão sendo criados para responder a essas questões, até que o concorrente resolve arriscar um caminho novo, dá resultado, e então o cliente quer imitar. Infelizmente, não dá para ter resultado de algo que nunca foi feito. Não dá para ter provas em cima do novo. Quando o modelo está pronto, não é mais novo.

O problema de quem recomenda é que ele até tem o poder de arriscar. Mas não é dado a ele o direito de errar.


Cada um fora do seu quadrado
Maíra Miguel
27 de julho de 2010

Como, de que jeito? Quebre os muros, derrube as barreiras e ultrapasse a zona de conforto. Fuja, vá para o desconhecido, para o quadrado do vizinho. Não estou estimulando a guerra, nem invasões de territórios alheios. Na verdade, sugiro um convite a uma visita, a conhecer algo que você sempre passa por ali, mas não frequenta ou vivencia. O resultado costuma ser inesperado, mas em compensação muito mais divertido e proveitoso.

Nas agências temos vários quadrados separados, como ilhas interligadas por pontes. Enquanto para o cliente é um espaço único, não importa as divisões internas. Ele quer e precisa de resultado e isso será reflexo do trabalho de todas as equipes. Se a meta não for atingida, vem abaixo um tsunami. Nesses casos todas as ilhotas vão sofrer as consequências, algumas mais do que as outras, mas nenhuma sairá ilesa. O prejuízo será geral.

Ao mesmo tempo, já é praticamente ultrapassado levantar a bandeira da web 2.0. Esse conceito já está incorporado ao ambiente digital. Colaboração, interação, participação são termos e modelos de criação default atualmente, mas o curioso é que em muitos casos não trabalhamos assim dentro das agências. Há mais segregação do que é produtivo. E aí, vamos acompanhar as mudanças e criar o relacionamento profissional 2.0?


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Planejamento - Pulso
Viver dá trabalho (segunda parte)
Bruno Villas Boas
26 de julho de 2010

No post anterior publicado aqui pela Psicóloga Vivian Costa Barros, o texto terminava levantando uma questão: ” paralisar?”. Ou seja, se frente nossas buscas e frustações diárias, desistir/parar seria o melhor caminho? Hoje ela traz o entendimento sobre o assunto, mostrando o outro lado da moeda. O convite foi feito para Psicóloga Vivian escrever no blog, pois os conceitos apresentados traduzem perfeitamente as motivações e essência do Pulso, vida e do nosso trabalho (repleto de sonhos e projetos). Chega de papo e boa leitura!

 

 

(…continuação). Não podemos deixar de pensar num conceito fundamental em psicanálise, o conceito de pulsão. As pulsões caracterizam-se numa pressão ou força que faz o organismo tender a um objetivo. Freud aponta que o dualismo pulsional, entre pulsão de vida e pulsão de morte é inerente ao ser humano. É algo que temos conosco e nos impulsiona na vida, no trabalho, nas relações, nas experiências, procurando nossos objetivos, nossos objetos.

Quando então pensamos na busca interminável por algo que falta, sobre o desejo que grita por aquilo que escapa, na angústia que nos encharca, no indizível, no inominável que nos é povoado pelas frustrações inevitáveis da vida, no medo de um futuro próximo e na incerteza se chegaremos lá, passamos por períodos de não compreensão de nós mesmos. As pulsões como um tornado, passam a ter grandes dificuldades de encontrarem seus objetivos. Falta o ar, o oxigênio, entramos numa espécie de areia movediça. E nossas pulsões? Continuam no seu conflito constante e querem achar seus objetivos… Como?

Wilfred Bion-Psicanalista com importante contribuição na escola inglesa de Psicanálise, no texto, “Sem Memória, sem Desejo, sem Compreensão”, um texto técnico e a priori sem função para os que não são da área psi, nos coloca uma questão que está para todos, na qual podemos refletir, sobre o que fazer quando estamos nesses períodos de não-compreensão de si próprio, do outro, da vida. Ele recomenda o tanto quanto possível, nos aproximarmos de um estado de vazio interno, não um estado da falta, mas um estado que se equaciona numa disponibilidade interna para se escutar, e também para escutar o que o outro tem a dizer de novo. O autor atenta para que não nos deixemos contaminar com nossos desejos, crenças, julgamentos. E assim tentármos criar um ambiente interno favorável, uma espécie de silêncio interno, fundamental para que escutemos o ecoar das muitas possibilidades de encontros e caminhos que temos a seguir. Embarque. As escolhas são nossas!

Viver dá trabalho.

(foto retirada do Flickr da Lívia Cristina)


Viver dá trabalho.
Bruno Villas Boas
21 de julho de 2010

Sempre converso com amigos sobre a vida corrida que levamos. São briefs, pedidos, clientes, projetos, sites, artigos, revistas, jornais, cursos, livros, blogs, um mundo de coisas que nos joga para um ciclo interminável de busca/pressão. Como a proposta do Pulso é unir disciplinas e visões distintas sobre assuntos do nosso dia-a-dia, resolvi convidar uma psicóloga para falar do tema. Vivian Costa Barros é Psicóloga Clínica e Hospitalar, com Especialização em Teoria e Clínica Psicanalítica e Especialização em Psicologia Oncológica-INCA.

Um ótimo texto que ajuda no entendimento das pessoas que são objeto do nosso trabalho (os famosos Clientes e consumidores). Sente nesse divã virtual e tire suas próprias conclusões. Boa leitura!

                                        

(…)Vivemos as nossas vidas, fazemos seja o que for que fazemos e depois dormimos: é tão simples e tão normal como isso. Alguns atiram-se de janelas, ou afogam-se, ou tomam comprimidos; um número maior morre por acidente, e a maioria, a imensa maioria é lentamente devorada por alguma doença ou, com muita sorte, pelo próprio tempo. Há apenas uma consolação: uma hora aqui ou ali em que as nossas vidas parecem, contra todas as probabilidades e expectativas, abrir-se de repente e dar-nos tudo quanto jamais imaginávamos, embora todos, exceto as crianças (e talvez até elas), saibamos que a estas horas se seguirão inevitavelmente outras, muito mais negras e mais difíceis. Mesmo assim, adoramos a cidade, a manhã, mesmo assim desejamos, acima de tudo, mais.

Michael Cunningham, in “As Horas”

 

A relação entre a necessidade e demanda produz uma defasagem onde nasce o desejo. Uma busca interminável para preencher uma falta que insiste em se fazer presente. Afinal de contas, que falta é essa? Freud no seu texto Mal-Estar na Civilização aponta que a cultura pode ser destruidora. Ela valoriza alguns padrões, comportamentos, com os quais muitas vezes somos capturados. Podemos observar como exemplo muito comum nos dias de hoje, o uso excessivo de medicações na tentativa de “uma certa cura” de estados de angústia que, muitas vezes, poderiam ser repensados e ressignificados sem o uso de tais medicações. A medicação está a serviço do patológico. Estamos na era da patologização que também está a serviço de algo que é valorizado pela cultura. Essa cultura é massacrante, e pode promover verdadeiros genocídios nas nossas relações.

Afogados e encharcados por todas essas exigências em que somos convocados, entramos em contato com nossos vazios e impossibilidades que se tornam insustentáveis. Confrontamo-nos com nossos sentimentos mais profundos e doídos, que são reverberados internamente e sentidos numa espécie de terror sem nome. Confusos e impotentes entregamos para o “o outro” o poder de alguém que possa nos ajudar, onde não mais nos reconhecemos, nem “Como fazer?” “E o que fazer?”

Melanie Klein- Percussora da escola inglesa de Psicanálise com ideias emancipadoras de Freud- aponta em sua obra que as pessoas não sofrem apenas de carências, repressões e traumas. Há um sofrimento pela falta de experiências emocionais que propiciem um desenvolvimento/crescimento. Podemos então abrir a questão: Até que ponto nos deixamos paralisar frente às exigências da cultura e deixamos de pensar no nosso papel enquanto sujeito de nossas experiências? O desejo vai estar sempre tentando dar conta da falta. E essa falta vai sempre existir, na medida em que são produzidas mais exigências na vida. A frustração é inevitável. Paralisar?

(Continua…)

 


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Mídia - Pulso
Foursquare filantrópico
Bruno Altieri
19 de julho de 2010

O blog PSFK postou hoje sobre uma campanha outdoor com caráter filantrópico, veiculada em São Francisco (na Califórnia) e destinada a usuários do Foursquare. Para quem não sabe, o Foursquare é uma rede social, instalada em aparelhos celulares com GPS, pelo qual usuários tornam públicas suas localizações em um dado momento. É como um twitter, mas em vez de dizer “o que estou fazendo” eu digo “onde eu estou”. E cada vez que eu faço isso, eu digo que eu dei um “check-in” em determinado lugar.

Muito bem, este é um dos anúncios da campanha:

Veiculado pela ONG EarthJustice, ele diz que para cada usuário que der um check-in naquele determinado local, a ONG irá doar 10 dólares para uma causa. No caso, para a melhora da qualidade da água de Lake Tahoe, lagoa da região.

Segundo depoimento da ONG, eles fizeram isso para não deixar a publicidade vazia, e sim dar a ela a possibilidade de tornar o espectador mais ativo. Nada mais justo para uma associação filantrópica. Acontece que o número de usuários de Foursquare em comparação com a população é baixíssimo. Então por que fazer? Por que arriscar?

Se pararmos para pensar, esta ação é MUITO positiva. Por ser inovadora, pioneira, interativa e usar artifícios recém saídos do forno (como o Foursquare), está gerando buzz em nível mundial. E eu, que estou aqui embaixo no Brasil, estou agora sabendo que a água de Lake Tahoe precisa de atenção. Esse é o verdadeiro valor de uma ação de comunicação, seja barata ou cara. Com inovação, ganha-se o mundo.


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Pulso
O Processo
Kátia Viola
16 de julho de 2010

São quatro as fases do processo de aprendizagem: primeiro a gente é inconscientemente incompetente. Depois, torna-se conscientemente incompetente. Daí, conscientemente competente e, ao final do processo, inconscientemente competente.

Lido assim depressa parece um complicado jogo de palavras, mas analisando com calma, faz a gente pensar.

Fato: convivemos com pessoas que estão em estágios diferentes no processo. E há quem nem complete o ciclo. Isso já é suficiente para dar muito pano pra manga, quer ver?

Imagine-se fazendo parte de um grupo de profissionais conscientemente ou inconscientemente competentes tendo seu trabalho analisado e julgado por uma pessoa inconscientemente incompetente.

Imagine o quanto é angustiante perceber-se incompetente (logo, conscientemente incompetente) para realizar alguma coisa, isto é, estar a par, mas não possuir conhecimento suficiente para concretizar ou concluir.

OK, também dá para imaginar coisas boas. Lembro de etapas da vida em que eu era conscientemente incompetente, mas tive oportunidade de conviver com sábios – os inconscientemente competentes. Esses caras podem até nem ter sacado o quanto foram importantes no meu processo de aprendizagem. Graças a eles, me tornei conscientemente incompetente: só sei que nada sei.


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Criação - Digital
Agora olhe para o Twitter do OldSpice. Agora leia o meu post.
Rogério Martins
14 de julho de 2010

“As marcas precisam participar da conversa.”

“A comunicação agora é um-a-um.”

“Voltamos a era do boca-a-boca.”

Este blablablá (hat tip: Fátima Rendeiro) sobre comunicação na era das redes sociais a gente ouve todo dia. Falar é fácil. Fazer, nem tanto. Os malucos da Wieden + Kennedy – Portland resolveram bancar o desafio e fazer exatamente isso. E, assim, criaram a — o que, exatamente? ação? — mais bacana que eu já vi em redes sociais nos últimos tempos.

Ontem (dia 13 de julho – na verdade, ainda está rolando), a galera de lá pegou o garoto propaganda do sabonete líquido Old Spice (aquele, da campanha que foi Grand Prix de filme em Cannes este ano) e botou o moço para responder com vídeos, uma a uma, perguntas e comentários que apareceram em blogs, twits, reddit.com, Facebook etc sobre os comerciais. Os links eram postados no perfil  do Twitter da marca. Confira, por exemplo, sua resposta para um comentário da atriz Alyssa Milano no Twitter.

Imagem de Amostra do You Tube

O mais impressionante é que eles abriram a possibilidade para que os internautas fizessem perguntas que foram respondidas praticamente em tempo real. Uma demonstração não só de brilho criativo como de agilidade que, acho que todo mundo aqui vai concordar, não é lá muito fácil de botar de pé. Imagina só se fossem seguidos os processos habituais de aprovação de cada texto, de qual pergunta seria respondida de um cliente grande. Definitivamente, não é para qualquer um.

Pois é. Quem poderia imaginar que ao levar o bullshite ao pé da letra, você consegue ter um resultado tão impressionante?

P.S.: Este post só foi possível porque vi essa ação via @DanLobo83