Se pudéssemos resumir em uma palavra, na verdade o que o cliente sempre quer de uma agência é uma recomendação. Quem já ouviu a frase “Quem toma decisões está sempre inseguro”? O cliente é inseguro por definição, e no que diz respeito à comunicação, propaganda, busca essa segurança na agência. Com razão. E pior: paga por sua experiência. Às vezes o justo, outras nem tanto, mas paga e espera, sim, receber em troca… as tais recomendações.
Espera que o atendimento recomende essa ou outra ação. Que o planejamento recomende uma estratégia. Que o mídia recomende canais, mídias tradicionais ou diferenciadas. Que o criativo recomende essa ou aquela forma de contar a história. Afinal nós somos (está no papel) quem mais entendemos disso. Nós resolvemos o problema.
Bem, na verdade, é aí que começa o problema. O problema de quem faz recomendação é que, na nossa profissão, ela é quase sempre subjetiva. Mesmo quando se apoia em dados objetivos (pesquisa de mercado e números de mídia), as escolhas são subjetivas. E aí ferrou: como apoiar uma decisão em cima de algo subjetivo? Quero provas! Resultados! Fórmulas e modelos!
Vale mais a pena atingir novos consumidores ou estimular os atuais a consumir mais? Eu tiraria um programa relevante de um plano de mídia em troca de cobertura? Fundo cinza ou fundo azul? Mais fórmulas e mais modelos vão sendo criados para responder a essas questões, até que o concorrente resolve arriscar um caminho novo, dá resultado, e então o cliente quer imitar. Infelizmente, não dá para ter resultado de algo que nunca foi feito. Não dá para ter provas em cima do novo. Quando o modelo está pronto, não é mais novo.
O problema de quem recomenda é que ele até tem o poder de arriscar. Mas não é dado a ele o direito de errar.










