No post anterior publicado aqui pela Psicóloga Vivian Costa Barros, o texto terminava levantando uma questão: ” paralisar?”. Ou seja, se frente nossas buscas e frustações diárias, desistir/parar seria o melhor caminho? Hoje ela traz o entendimento sobre o assunto, mostrando o outro lado da moeda. O convite foi feito para Psicóloga Vivian escrever no blog, pois os conceitos apresentados traduzem perfeitamente as motivações e essência do Pulso, vida e do nosso trabalho (repleto de sonhos e projetos). Chega de papo e boa leitura!
(…continuação). Não podemos deixar de pensar num conceito fundamental em psicanálise, o conceito de pulsão. As pulsões caracterizam-se numa pressão ou força que faz o organismo tender a um objetivo. Freud aponta que o dualismo pulsional, entre pulsão de vida e pulsão de morte é inerente ao ser humano. É algo que temos conosco e nos impulsiona na vida, no trabalho, nas relações, nas experiências, procurando nossos objetivos, nossos objetos.
Quando então pensamos na busca interminável por algo que falta, sobre o desejo que grita por aquilo que escapa, na angústia que nos encharca, no indizível, no inominável que nos é povoado pelas frustrações inevitáveis da vida, no medo de um futuro próximo e na incerteza se chegaremos lá, passamos por períodos de não compreensão de nós mesmos. As pulsões como um tornado, passam a ter grandes dificuldades de encontrarem seus objetivos. Falta o ar, o oxigênio, entramos numa espécie de areia movediça. E nossas pulsões? Continuam no seu conflito constante e querem achar seus objetivos… Como?
Wilfred Bion-Psicanalista com importante contribuição na escola inglesa de Psicanálise, no texto, “Sem Memória, sem Desejo, sem Compreensão”, um texto técnico e a priori sem função para os que não são da área psi, nos coloca uma questão que está para todos, na qual podemos refletir, sobre o que fazer quando estamos nesses períodos de não-compreensão de si próprio, do outro, da vida. Ele recomenda o tanto quanto possível, nos aproximarmos de um estado de vazio interno, não um estado da falta, mas um estado que se equaciona numa disponibilidade interna para se escutar, e também para escutar o que o outro tem a dizer de novo. O autor atenta para que não nos deixemos contaminar com nossos desejos, crenças, julgamentos. E assim tentármos criar um ambiente interno favorável, uma espécie de silêncio interno, fundamental para que escutemos o ecoar das muitas possibilidades de encontros e caminhos que temos a seguir. Embarque. As escolhas são nossas!
Viver dá trabalho.
(foto retirada do Flickr da Lívia Cristina)


Viver dá trabalho.
Viver é o trabalho.
Excelente texto!
Ótimo trabalho …seu debruçar nas palavras nos permite mergulhar naquilo que não queremos entender e muito menos enxergar! e nessa luta constante de entraves e desafios que a vida nos impõe as vezes é dificíl direcionar, que rota tomaremos ? e como nomeou podemos ficar presos numa areia movediça….quanto mais nos debatemos mas afundamos… e aí entra a pulsao, essa força motriz que nos impulsiona a estar na vida…. assim sendo a vida é um “renovado contrato de risco” e assinar esse contrato é saber que não existe certezas, nem garantias! somos incompletos por excelência e assim esse ” vazio” nos permite sempre almejar coisas p prenche-lo, entra o nosso desejo! O nosso maior medo é que a nossa “Falta” Falte! bjs continue na escrita cirscuncrevendo o inominável!
As pulsões também são uma força para a evolução. É exatamente a nossa interminável busca pelo que falta que faz com que possamos ir além.
Afinal, o que hoje é possível somente existe porque o homem tentou, repetidas vezes, atingir o impossível.
Excelente Texto!
Como profissional liberal (Freela) sei bem na prática como viver dá trabalho, os momentos de incerteza e insegurança fazem parte do dia-a-dia. Parabéns pelo post.