Arquivo de agosto de 2010


Papo de primeira (na segunda):branding e design
Bruno Villas Boas
16 de agosto de 2010

Recentemente assisti a uma palestra do casal de designers Re-Yo (Rejane e Yomar) e, como bom “Pulser “, não podia deixar de compartilhar com vocês as opiniões, trabalhos e visões dessa dupla que espalha pelo mundo seu talento e criatividade.

A conversa de hoje será com a Rejane, que desde 2005 trabalha no Studio Dumbar e atualmente leciona na Joost Academia St (Holanda). Bom, chega de apresentações e vamos ao papo.

1 – Rejane, você está fora do Brasil há quanto tempo?
Estou na Holanda há 6 anos.

2 – Como foi parar aí?
Sempre tive a ideia de dar aula em design gráfico. Mas como o mestrado no Brasil ainda está muito atrelado à tese escrita e nada à prática do design, fui buscar um mestrado na Holanda (onde tem prática) e, assim, poder dar aula de volta no Brasil. Fiz um mestrado em design gráfico na universidade Post St Joost Breda Nederland e acabei realizando meu objetivo de dar aula em design gráfico na Holanda mesmo. Além disso, junto com o mestrado, comecei a trabalhar num escritório de design em Rotterdam, o Studio Dumbar, onde trabalho há 5 anos e meio.

3 – Trabalhar com profissionais de várias nacionalidades e culturas faz diferença na hora de criar?
Outros olhares e perspectivas sempre adicionam e é positivo, acredito que as referências e experiências de cada um se enriquecem com a troca entre culturas. Essa troca só é positiva se cada um não se achar superior à outra cultura, não se considerar o dono da verdade e permanecer aberto para entender o outro.

4 – O seu trabalho é reconhecido mundialmente, assim como o do Yomar, quais as razões para o sucesso na sua opinião?

Acho muito difícil essa pergunta e na verdade não há resposta, ou ao menos algo específico que possa pontuar o que nos levou a isso. Mas o que aprendi morando e tendo feito entrevistas tanto em NY quanto na Holanda, é que o reconhecimento do profissional e respeito são incríveis. Eu nunca fui tão bem recebida quanto na HBO em NY, por exemplo. Meu portfólio ficou trancado por lá e fui conhecer no dia seguinte a diretora da HBO, e consegui o emprego. O visual dela era imponente. A HBO em NY são dois prédio gigantes, mega corporação.

Na Holanda, com meu projeto de mestrado consegui entrevistas com pessoas do governo em várias cidades na Holanda. Só tive que mandar um e-mail explicando o projeto e porque eu queria uma entrevista, e elas me atenderam.

Acho que quero dizer que a distância entre você e o empregador e o cliente é menor e, portanto, a formalidade é menor e você como indivíduo pode se destacar. A preocupação é fazer um bom trabalho e não agradar o chefe para fazer um bom trabalho. A figura do “chefe ou cliente” é mais diluída. O que você tem a acrescentar na profissão é o que mais importa e não como se veste e quem conhece de “famoso”. Essa tem sido a minha experiência.

5- Estamos perto da nossa primeira Olimpíada e Copa do Mundo, qual o papel e importância do citybranding no posicionamento/reposicionamento para um país ou cidade?
A importância de uma “identidade de uma cidade”, nesse caso, vai ser para dar suporte paralelamente aos eventos principais como as Olimpíadas e a Copa do Mundo, facilitando as pessoas que quiserem ter acesso a todas as informações necessárias sobre a cidade, referentes à sua necessidade, sem mostrar fotos de bunda, biquíni, mulher e futebol.

6 – Você pode citar alguns trabalhos de citybranding que já fez?
Delft – Holanda, Brasília 50 anos – Brasil, e Den Bosh – Holanda (não foi aplicada).

7 – Uma curiosidade, como costuma ser “brifada”?
Varia de cliente para cliente, mas o que percebo é que briefing é o mesmo do que o que dizemos quando nós mesmos tentamos nos descrever. Nunca sabemos realmente como nos descrever e basta alguém que nos conheça, com um olhar de fora, para nos descrever com mais clareza, objetividade e, às vezes, é até mais significativo. Acho que essa é a dinâmica entre cliente e designers. O briefing é apenas um pequeno começo para sabermos o que fazer e entender um pouco do contexto desse cliente, mas as respostas de como fazer não estão lá, nem perto disso.

Sem briefing ficamos perdidos, com muito briefing ficamos travados. O designer tem que saber dosar a informação do cliente e, se precisar de mais informações, fazer pesquisas ou até mesmo tirar conclusões próprias, editar e até reformular o briefing.

8 – Como funciona sua busca por insights e ideias?
Vou buscar nos registros e coletas das coisas que me chamam atenção no dia-a-dia e na troca com outros profissionais.

9 – Você tem alguma dica para quem pensa em sair do país?
Saiba que vai ter que descer para subir. Cada dia vai ter que provar porque está numa certa posição que conquistou. Não tem como transcrever uma realidade para a outra 1:1. Pelo menos essa tem sido a minha experiência.

10 – Qual a sua opinião sobre a Comunicação brasileira? O que traria da Europa para cá?
Traria o FAZER Design e menos as “técnicas de venda de UM design”.
A comunicação ainda é muito baseada em publicidade.O que mais se vê na rua é comunicação de empresas de telecomunicação, propaganda publicitária com uso de artistas como apelo visual.

11 – Quando você e o Yomar pensam em voltar para o Brasil?
Não sabemos quando ou se voltaremos. Os planos mudam sempre.


Categoria
Pulso
Mea Culpa Publicitária
Raul Santa Helena
07 de agosto de 2010
Imagem de Amostra do You Tube

Art&Copy é um documentário sobre os dilemas e desafios da publicidade no cenário em que vivemos atualmente. Um cenário que a GoViral descreveu de forma pertinente como “pinball” (caótico, vários alvos heterogêneos, várias mensagens, vários meios, ruídos, possibilidades…) ao contrário do cenário “boliche” (apenas uma mensagem – a bola – através de um único canal com o objetivo de atingir o máximo de pessoas possíveis – os pinos – que formam um grupo homogêneo, estático, passivo esperando por ser impactado) de outros tempos. [leia mais sobre essa analogia]

Muita coisa mudou todos sabemos.

O documentário traz informações como: 65% dos americanos acreditam que são permanentemente bombardeados com demasiada quantidade de propaganda. Já não é de hoje que se sabe que as pessoas nunca foram entusiastas da propaganda que interrompe seus programas favoritos. Quem gosta de publicidade é publicitário. As pessoas sempre gostaram, gostam e sempre gostarão é de conteúdo. Conteúdo que lhe entretenham e que façam com que seu dia fique melhor. Demorou até que os publicitários se dessem conta dessa realidade de forma verdadeira. E o pior: a grande maioria ainda não crê fielmente nesta verdade. Ainda acreditam que as pessoas folheiam revistas para ver seus anúncios geniais, que zapeiam os canais de tv em busca dos grandes comerciais criados por eles e que andam trôpegos pelas ruas encantados com seus imponentes outdoors. Bullshit! As pessoas clamam, cada vez mais, por serem envolvidas e não mais interrompidas. E se você disser que as pessoas gostam de muitos comerciais e até comentam nos bares estará apenas endossando o que estou dizendo: se as pessoas curtiram e comentam é porque aqueles 30s entreteram ele, o envolveram. Não estou questionando formatos, plataformas ou meios. Estou questionando enfoque, abordagem, approach (para os mais antigos).

E você, o que acha sobre isso?