Arquivo de julho de 2011


Categoria
Pulso
Doe Tempo
Leonardo Brossa
11 de julho de 2011

Doe TempoHá duas semanas atrás tive a oportunidade de bater um papo com o pessoal que está organizando o TedXYouth Sudeste, que tem tudo pra ser um dos eventos mais bacanas do ano. Mas isso vai ser outro papo.

Uma das coisas mais legais nesse tipo de encontro é conhecer gente diferente do nosso meio e sair um pouco do nosso mundinho, seja ele publicitário, artístico, cinematográfico, administrativo ou qualquer outro. Porque não tem jeito, a gente sempre acaba se isolando mesmo, é natural.

Tinha uma coisa em comum entre todas as pessoas que estavam nesse dia que me chamou a atenção. Todos nós estávamos doando um pouco do nosso tempo para fazer algo que realmente acreditamos. E doar tempo hoje em dia é complicado, temos uma rotina pesada no trabalho, precisamos chegar em casa pra liberar as babás ou simplesmente encontrar as pessoas que escolhemos, além de ler e ir a eventos para nos atualizarmos. Porrada!

Nesse panorama, a expressão “share of time” faz cada vez mais sentido nos dias de hoje. Como você divide seu tempo é cada vez mais o “pulo do gato” pra se encontrar um equilíbrio bacana. (tô ficando com medo que esse texto pareça auto-ajuda, mas vamos lá…)

Pra mim, que de 3 em 3 meses repenso minha existência e contesto minhas decisões, participar de iniciativas como essa me revigoram e me ajudam a saber que tenho mais a oferecer do que fazer belos planejamentos e reuniões para meus clientes. Quando saí do encontro pra encontrar minha ninhada e minha esposa eu estava feliz demais. Claro que o chope no Bar Lagoa ajudou.

(agora tá parecendo diário de adolescente, mas vou continuar…)

O ponto que quero chegar é que nós somos cobrados e nos cobramos muito diariamente, muitas vezes nos afastando ou nem chegando a descobrir coisas que realmente são importantes para nós. Minha provocação é que a gente pode e merece doar nosso tempo para fazer coisas diferentes, novas na nossa rotina. Mas pra isso, precisamos exercitar nossa humildade. Pois precisamos dela pra saber que nossa ausência uma tarde, uma manhã, um dia, umas horas ou qualquer tempo que você possa dedicar, não vão ter efeitos catastróficos.

Sair uma manhã pra conhecer um projeto como o Hub Escola e ver se pode se tornar colaborador não vai fazer a sua empresa quebrar. Chegar mais tarde em casa porque você se dedicou a encontrar pessoas diferentes pra fazer algo completamente novo, não vai abalar seu casamento e seus filhos não vão te amar menos por isso.

Por isso, fecho esse testamento pedindo que você exercite a doação do seu tempo. Doe tempo, seja ele pra uma causa, pra um projeto não profissional, pra uma instituição de caridade, pra bater papo com um idoso, pra brincar com uma criança, pra fazer qualquer coisa, contando que seja nova. Até porque, tem muita gente precisando da sua ajuda, inclusive você.

Exercitando a Doação:

- Voluntários

- Rio Voluntário

- Doe Palavras

- Doe sua página 404 pra AACD

- Hub Escola

- Guerreiros sem Armas


Categoria
Pulso
On e Off, quem disse que mídia é botão de power?
Thiago Rodrigues
08 de julho de 2011

Eu adoro a mania que todo mundo tem de classificar tudo. Quando a mídia online chegou no mercado, com todas as suas métricas, formatos e formas de venda diferentes, fez com que alguns profissionais não olhassem com bons olhos, esse “novo mundo”. De olho nessa oportunidade e na resistência ao novo, surgiram as agências especializadas e profissionais dedicados ao “online”, deixando os profissionais mais antigos confinados ao offline.

Até aí nada de novo, mas não seria essa divisão extremamente prejudicial ao mercado e ao processo publicitário?  “Vamos partir do princípio que no fim do dia tudo é mídia, seja o banner no portal X ou o spot de 30” no canal Y. Todos estão comunicando algo e todos têm seu papel no plano de mídia. Inclusive, tirando alguns nomes, os objetivos são os mesmos, cobertura, frequência…

A principal diferença entre as duas “disciplinas” é a capacidade de mensuração e controle das campanhas. Uma campanha digital não te dá números aproximados ou projeções sobre pesquisas, te dá o número real, enquanto dados de mídias “off-line”(chamemos assim por falta de nome melhor) ainda são baseados em pesquisas amostrais e/ou dados de recall.

Ok, reconheço que as diferenças na forma de compra e a maneira como são apresentados os dados fazem com que necessitemos de profissionais dedicados a On e Off, mas isso não pode servir de desculpa para o desconhecimento de um e de outro. Por exemplo, um bom planejador de mídia tem que conhecer muito bem seu cliente e seus objetivos, para escolher onde anunciar. Às vezes uma fanpage no facebook pode ser mais relevante que uma campanha em TV a cabo, ou vice-versa.

Por isso, acredito que a divisão entre agencias que só fazem On ou Off tem prazo de validade, ela foi útil em um momento que o meio precisava de maturidade e de pessoas que o ajudassem a se desenvolver, agora é a hora de integrar as mídias online ao portfólio regular de todas as agências e ao dia a dia do planejamento de mídia.

Mas antes que comecem a me jogar pedras e criticar, reconheço o papel das agências digitais, existem clientes que precisam dessa atenção especial. O que não deve acontecer, é pensar em separação estratégica de on e off. Vamos pensar em nosso dia a dia. Qual a diferença entre ver o mesmo comercial de 30” no youtube ou no intervalo do Fantástico? Ou melhor, qual a diferença entre passarmos na frente de um vitrine e comprar um tênis, para ver um banner de uma loja de calçados e clicar em comprar no mesmo modelo de tênis?

Lembrando David Ogilvy, boa campanha publicitária é aquela que faz a caixa registradora do cliente tilintar, não importa de onde ela veio e quanto custou, os resultados vão vir das mídias certas sejam elas quais forem e cabe a nós, profissionais de comunicação, conhece-las muito bem para utiliza-las da melhor forma.