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Qual é o potencial do jovem brasileiro?
Vinicius Oberg Guedes
08 de agosto de 2011

Eles não participaram de nenhuma revolução armada e muito menos influenciaram nas decisões políticas da última década. Os jovens da Geração Y estão na moda e todos querem um pouquinho deles, que hoje interferem na lógica do consumo e lideram a maior e mais verdadeira revolução da história, a digital.


Dentre centenas de pesquisas disponíveis sobre os jovens, compartilho mais uma, talvez a mais recente e interessante publicada aqui no Brasil. A Box1824, realizadora, buscou um trabalho mais amplo, que fosse além da questão do consumo/mídia, compreendendo melhor o potencial desse jovem.

O resultado está disponível para download e você pode conferir tudo aqui!


Engajamento pra Cego Ver
Leonardo Brossa
29 de novembro de 2010

Voltando do GP 2010 (evento do Grupo de Planejamento) hoje pude refletir sobre algumas coisas bacanas que ouvi por lá. Uma delas foi como o Neil Arthur, head de Planejamento da W+K, mostrou que a comunicação pode ser estendida caso haja uma oportunidade e sua equipe tenha o insight certo, como eles mostraram no case Old Spice.

Nesse ponto, acho que os meios digitais ajudam muito a prolongar nossa mensagem e manter a discussão quente. Mas será que podemos dizer que a Old Spice hoje é uma marca que engaja seus consumidores? Segundo os especialistas de plantão, agora basta ter uma porrada de LIKES no FB e uma dúzia de RTs, estimulados, no Twitter e pronto, sua marca é engajadora.

Na minha humilde opinião, eu diria que não, embora o caminho esteja bem sedimentado. O buraco ainda é mais embaixo. Quantos LIKES você já deu e não se lembra? Quantos LIKES você já deu só pra ter acesso ao conteúdo “fechado”? O que o LIKE é então? Merda? Claro que não, mas é mais uma boa métrica para ser trabalhada. O mesmo com os RTs e com os seus seguidores. São novas métricas.

Engajar, segundo o Aurélio, é “fazer participar, tomar posição, alistar-se”. Estamos falando de um envolvimento ideológico com determinada causa ou coisa. Por isso, o potencial de engajamento que uma marca pode alcançar é construído no longo prazo. Um conjunto de contatos e propósitos que o consumidor vai comprando até o dia que você pede pro cara sair de casa e ir pra rua cantar com você. Até o dia que a pessoa está tão envolvida com sua proposta de valor que ela te defende na mesa de bar. Até o dia que ela te acompanha, te escuta, te admira e até dá sharing nas suas mensagens e participa das suas ações. Nesse caso, sei que a W+K já está preparando novas ações que vão continuar fortalecendo a marca Old Spice e aproximando-a cada vez mais das pessoas. Pra eles, Strategy = message + behavior.

Uma outra grande sacada no evento de hoje veio da Carla Sá, diretora fodona de planejamento da NBS. Ela disse que o consumidor não está interessado nas marcas, mas sim nos produtos e serviços que elas têm e que melhoram a sua vida. Os xiitas (ou seriam chatos?) vão discordar por que lêem sem interpretar e vão falar de um monte de marcas desejadas. Mas a questão é que as marcas passam a ser desejadas quanto seus produtos e serviços mudam a vida das pessoas. Está aí o segredo do engajamento, na minha opinião. Qual a proposta de marca do seu cliente e com quem ela conversa intimamente?

Bom, já me perdi, né? Mas resumindo. Vamos parar com essa história de Like e RT porque isso já está velho e chato. Engajamento não é matemática, não tem fórmula pra calcular. Vamos envolver esses caras com uma proposta real. Vamos pensar em planejar as marcas com ações que não precisem estar ligadas as datas de varejo, que é quando a verba aparece. Vamos fazer o que o Jaime Troiano propôs, encontrar o PROPÓSITO da marca e depois guiar nossas ações em torno desse tema.


A cachaça nossa de todo dia
Maíra Miguel
27 de setembro de 2010

Há quem imagine que publicidade não tenha nada de números, análises e métricas. Ainda existe no inconsciente coletivo um pouco daquele velho estereótipo de que para ser bom nesse meio, basta muita criatividade e algumas ideias geniais que surgem na mesa do bar.

De fato, algumas ideias podem até surgir assim, por que não? Mas vamos ser francos, análises estratégicas (e seus números) também são inspiradoras. Mais do que isso, os números conversam com quem sabe ouvi-los. Esse é o grande desafio. Precisamos ter consciência que os resultados são objetivos, mas as leituras essas sim podem ser subjetivas.

No mundo digital então diria que números, métricas e a publicidade são melhores amigos. E mais, os clientes adoram quando os dois caminham de mãos dadas porque juntos eles contribuem para alcançar reconhecimento e credibilidade. E exatamente por isso é obrigatório que a criação publicitária, independente de on ou off, seja pensada desde sua concepção nos gráficos, números e estatísticas que vão permitir avaliar se a campanha conseguiu os objetivos esperados.

Falando de digital mais uma vez, ali a criatividade pode e deve rolar solta, sempre lado a lado com métricas consistentes e segmentadas. E o melhor, o monitoramento é praticamente simultâneo. Podemos mudar tudo e refazer uma nova estratégia em curto período, depois de boa conversa com análises, dados, números, etc. Confesso: eles são uma das minhas cachaças. Para quem gosta, saboreie com prazer.  Quem ainda não provou, fica aqui o convite. Pode parecer amargo início, mas é que nem cerveja: depois que se acostuma, desce redondo.


Papo de primeira (na segunda):branding e design
Bruno Villas Boas
16 de agosto de 2010

Recentemente assisti a uma palestra do casal de designers Re-Yo (Rejane e Yomar) e, como bom “Pulser “, não podia deixar de compartilhar com vocês as opiniões, trabalhos e visões dessa dupla que espalha pelo mundo seu talento e criatividade.

A conversa de hoje será com a Rejane, que desde 2005 trabalha no Studio Dumbar e atualmente leciona na Joost Academia St (Holanda). Bom, chega de apresentações e vamos ao papo.

1 – Rejane, você está fora do Brasil há quanto tempo?
Estou na Holanda há 6 anos.

2 – Como foi parar aí?
Sempre tive a ideia de dar aula em design gráfico. Mas como o mestrado no Brasil ainda está muito atrelado à tese escrita e nada à prática do design, fui buscar um mestrado na Holanda (onde tem prática) e, assim, poder dar aula de volta no Brasil. Fiz um mestrado em design gráfico na universidade Post St Joost Breda Nederland e acabei realizando meu objetivo de dar aula em design gráfico na Holanda mesmo. Além disso, junto com o mestrado, comecei a trabalhar num escritório de design em Rotterdam, o Studio Dumbar, onde trabalho há 5 anos e meio.

3 – Trabalhar com profissionais de várias nacionalidades e culturas faz diferença na hora de criar?
Outros olhares e perspectivas sempre adicionam e é positivo, acredito que as referências e experiências de cada um se enriquecem com a troca entre culturas. Essa troca só é positiva se cada um não se achar superior à outra cultura, não se considerar o dono da verdade e permanecer aberto para entender o outro.

4 – O seu trabalho é reconhecido mundialmente, assim como o do Yomar, quais as razões para o sucesso na sua opinião?

Acho muito difícil essa pergunta e na verdade não há resposta, ou ao menos algo específico que possa pontuar o que nos levou a isso. Mas o que aprendi morando e tendo feito entrevistas tanto em NY quanto na Holanda, é que o reconhecimento do profissional e respeito são incríveis. Eu nunca fui tão bem recebida quanto na HBO em NY, por exemplo. Meu portfólio ficou trancado por lá e fui conhecer no dia seguinte a diretora da HBO, e consegui o emprego. O visual dela era imponente. A HBO em NY são dois prédio gigantes, mega corporação.

Na Holanda, com meu projeto de mestrado consegui entrevistas com pessoas do governo em várias cidades na Holanda. Só tive que mandar um e-mail explicando o projeto e porque eu queria uma entrevista, e elas me atenderam.

Acho que quero dizer que a distância entre você e o empregador e o cliente é menor e, portanto, a formalidade é menor e você como indivíduo pode se destacar. A preocupação é fazer um bom trabalho e não agradar o chefe para fazer um bom trabalho. A figura do “chefe ou cliente” é mais diluída. O que você tem a acrescentar na profissão é o que mais importa e não como se veste e quem conhece de “famoso”. Essa tem sido a minha experiência.

5- Estamos perto da nossa primeira Olimpíada e Copa do Mundo, qual o papel e importância do citybranding no posicionamento/reposicionamento para um país ou cidade?
A importância de uma “identidade de uma cidade”, nesse caso, vai ser para dar suporte paralelamente aos eventos principais como as Olimpíadas e a Copa do Mundo, facilitando as pessoas que quiserem ter acesso a todas as informações necessárias sobre a cidade, referentes à sua necessidade, sem mostrar fotos de bunda, biquíni, mulher e futebol.

6 – Você pode citar alguns trabalhos de citybranding que já fez?
Delft – Holanda, Brasília 50 anos – Brasil, e Den Bosh – Holanda (não foi aplicada).

7 – Uma curiosidade, como costuma ser “brifada”?
Varia de cliente para cliente, mas o que percebo é que briefing é o mesmo do que o que dizemos quando nós mesmos tentamos nos descrever. Nunca sabemos realmente como nos descrever e basta alguém que nos conheça, com um olhar de fora, para nos descrever com mais clareza, objetividade e, às vezes, é até mais significativo. Acho que essa é a dinâmica entre cliente e designers. O briefing é apenas um pequeno começo para sabermos o que fazer e entender um pouco do contexto desse cliente, mas as respostas de como fazer não estão lá, nem perto disso.

Sem briefing ficamos perdidos, com muito briefing ficamos travados. O designer tem que saber dosar a informação do cliente e, se precisar de mais informações, fazer pesquisas ou até mesmo tirar conclusões próprias, editar e até reformular o briefing.

8 – Como funciona sua busca por insights e ideias?
Vou buscar nos registros e coletas das coisas que me chamam atenção no dia-a-dia e na troca com outros profissionais.

9 – Você tem alguma dica para quem pensa em sair do país?
Saiba que vai ter que descer para subir. Cada dia vai ter que provar porque está numa certa posição que conquistou. Não tem como transcrever uma realidade para a outra 1:1. Pelo menos essa tem sido a minha experiência.

10 – Qual a sua opinião sobre a Comunicação brasileira? O que traria da Europa para cá?
Traria o FAZER Design e menos as “técnicas de venda de UM design”.
A comunicação ainda é muito baseada em publicidade.O que mais se vê na rua é comunicação de empresas de telecomunicação, propaganda publicitária com uso de artistas como apelo visual.

11 – Quando você e o Yomar pensam em voltar para o Brasil?
Não sabemos quando ou se voltaremos. Os planos mudam sempre.


Cada um fora do seu quadrado
Maíra Miguel
27 de julho de 2010

Como, de que jeito? Quebre os muros, derrube as barreiras e ultrapasse a zona de conforto. Fuja, vá para o desconhecido, para o quadrado do vizinho. Não estou estimulando a guerra, nem invasões de territórios alheios. Na verdade, sugiro um convite a uma visita, a conhecer algo que você sempre passa por ali, mas não frequenta ou vivencia. O resultado costuma ser inesperado, mas em compensação muito mais divertido e proveitoso.

Nas agências temos vários quadrados separados, como ilhas interligadas por pontes. Enquanto para o cliente é um espaço único, não importa as divisões internas. Ele quer e precisa de resultado e isso será reflexo do trabalho de todas as equipes. Se a meta não for atingida, vem abaixo um tsunami. Nesses casos todas as ilhotas vão sofrer as consequências, algumas mais do que as outras, mas nenhuma sairá ilesa. O prejuízo será geral.

Ao mesmo tempo, já é praticamente ultrapassado levantar a bandeira da web 2.0. Esse conceito já está incorporado ao ambiente digital. Colaboração, interação, participação são termos e modelos de criação default atualmente, mas o curioso é que em muitos casos não trabalhamos assim dentro das agências. Há mais segregação do que é produtivo. E aí, vamos acompanhar as mudanças e criar o relacionamento profissional 2.0?


Viver dá trabalho.
Bruno Villas Boas
21 de julho de 2010

Sempre converso com amigos sobre a vida corrida que levamos. São briefs, pedidos, clientes, projetos, sites, artigos, revistas, jornais, cursos, livros, blogs, um mundo de coisas que nos joga para um ciclo interminável de busca/pressão. Como a proposta do Pulso é unir disciplinas e visões distintas sobre assuntos do nosso dia-a-dia, resolvi convidar uma psicóloga para falar do tema. Vivian Costa Barros é Psicóloga Clínica e Hospitalar, com Especialização em Teoria e Clínica Psicanalítica e Especialização em Psicologia Oncológica-INCA.

Um ótimo texto que ajuda no entendimento das pessoas que são objeto do nosso trabalho (os famosos Clientes e consumidores). Sente nesse divã virtual e tire suas próprias conclusões. Boa leitura!

                                        

(…)Vivemos as nossas vidas, fazemos seja o que for que fazemos e depois dormimos: é tão simples e tão normal como isso. Alguns atiram-se de janelas, ou afogam-se, ou tomam comprimidos; um número maior morre por acidente, e a maioria, a imensa maioria é lentamente devorada por alguma doença ou, com muita sorte, pelo próprio tempo. Há apenas uma consolação: uma hora aqui ou ali em que as nossas vidas parecem, contra todas as probabilidades e expectativas, abrir-se de repente e dar-nos tudo quanto jamais imaginávamos, embora todos, exceto as crianças (e talvez até elas), saibamos que a estas horas se seguirão inevitavelmente outras, muito mais negras e mais difíceis. Mesmo assim, adoramos a cidade, a manhã, mesmo assim desejamos, acima de tudo, mais.

Michael Cunningham, in “As Horas”

 

A relação entre a necessidade e demanda produz uma defasagem onde nasce o desejo. Uma busca interminável para preencher uma falta que insiste em se fazer presente. Afinal de contas, que falta é essa? Freud no seu texto Mal-Estar na Civilização aponta que a cultura pode ser destruidora. Ela valoriza alguns padrões, comportamentos, com os quais muitas vezes somos capturados. Podemos observar como exemplo muito comum nos dias de hoje, o uso excessivo de medicações na tentativa de “uma certa cura” de estados de angústia que, muitas vezes, poderiam ser repensados e ressignificados sem o uso de tais medicações. A medicação está a serviço do patológico. Estamos na era da patologização que também está a serviço de algo que é valorizado pela cultura. Essa cultura é massacrante, e pode promover verdadeiros genocídios nas nossas relações.

Afogados e encharcados por todas essas exigências em que somos convocados, entramos em contato com nossos vazios e impossibilidades que se tornam insustentáveis. Confrontamo-nos com nossos sentimentos mais profundos e doídos, que são reverberados internamente e sentidos numa espécie de terror sem nome. Confusos e impotentes entregamos para o “o outro” o poder de alguém que possa nos ajudar, onde não mais nos reconhecemos, nem “Como fazer?” “E o que fazer?”

Melanie Klein- Percussora da escola inglesa de Psicanálise com ideias emancipadoras de Freud- aponta em sua obra que as pessoas não sofrem apenas de carências, repressões e traumas. Há um sofrimento pela falta de experiências emocionais que propiciem um desenvolvimento/crescimento. Podemos então abrir a questão: Até que ponto nos deixamos paralisar frente às exigências da cultura e deixamos de pensar no nosso papel enquanto sujeito de nossas experiências? O desejo vai estar sempre tentando dar conta da falta. E essa falta vai sempre existir, na medida em que são produzidas mais exigências na vida. A frustração é inevitável. Paralisar?

(Continua…)

 


Morte do Planejamento
Kátia Viola
18 de fevereiro de 2010

A publicitária Pedrina de Deus, da SG Propag, deu uma entrevista hoje no jornal O Povo. Perguntada sobre que áreas da publicidade considera como as mais promissoras para os próximos anos, Pedrina aponta para Mídia e Atendimento. E explica o porquê: “Eficácia só acontece com a informação e estas são as áreas de uma agência que detém a informação. O futuro do planejamento é o seu fim. Essas duas áreas terão de pensar como planejamento, deixando de ser áreas de balcão e passar a ser áreas analíticas, de interpretação de fatos, de negociação, de visão estratégia, de conhecimento macroeconômico. E quando isso ocorrer, o planejamento morre.” Hummmmm….