Quando a crise financeira e a eleição de Obama ainda são os assuntos mais comentados na mídia, seja ela especializada ou não, uma notícia totalmente à margem e de pouco destaque conseguiu desviar minha atenção: a retomada das discussões sobre o modelo de negócio da Power Line Communications (PLC) no país.
Para quem ainda não conhece, a PLC é uma tecnologia inglesa que já vem sendo testada há alguns anos no Brasil, capaz de transmitir dados e voz em banda larga através da corrente elétrica. Em termos práticos, isto quer dizer que uma tomada comum pode ser fonte de acesso à internet de alta velocidade, sem interferir no funcionamento de outros eletroeletrônicos.
A popularização da WEB está sendo anunciada desde que os computadores baratearam de preço e chegaram a 25% dos lares do Brasil. No entanto, vale destacar que apenas a presença do aparelho não sugere a exploração de todos os recursos do meio, cada vez mais amplos e dependentes do acesso rápido, limitado e encarecido pela complexa infra-estrutura demandada e seus altos custos de implantação.
Neste contexto, a comercialização da PLC pelas companhias elétricas regionais surge como mais um importantíssimo passo para a verdadeira aceleração do processo de inclusão digital no país, uma vez que a parte mais demorada e dispendiosa do processo já está aí, em 98% dos domicílios brasileiros. Não será preciso fazer grandes adaptações na rede e a conta de energia não deve sofrer aumento significativo, já que o consumo médio desse tipo de modem é de apenas 9 Watts.
Para nós, publicitários, vale a reflexão sobre a série de possíveis conseqüências da difusão desse novo negócio: esbarrarmo-nos com uma possibilidade real de massificação de um meio que, apesar dos crescentes índices de penetração na classe média ano a ano, ainda é prioritariamente pensado e planejado para a classe AB.